A visita do Bicho-papão
Há quem diga que a culpa foi do próprio menino, há quem diga que a culpa foi da mãe, e eu digo, o mal vai além de monstrinhos debaixo de sua cama.
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Adrien é um garoto ainda jovem, tendo apenas 11 anos de vida, entretanto com grande vivacidade, dando sempre muita dor de cabeça para sua mãe, conhecido por ser um garoto desobediente e desordeiro. Embora, sejamos sinceros, Adrien não era um garoto mau, a criança havia acabado de presenciar o divórcio de seus pais, ao menos havia motivos sólidos para existir tanta desavença por sua parte.
E naquele dia em especial, uma monótona terça-feira, seguia-se normalmente, e normalmente quero dizer, com o pequeno Adrien insistindo em atanazar sua pobre mãe. Tinha sido colocado para dormir por ela, porém se recusava a adormecer, mesmo deitado na cama, bem coberto e no conforto.
E sua mãe, desolada, se perguntava: "Que farei eu para esta criança se comportar bonitinho? Sou tão ruim assim que meu garotinho se recusa obedecer?". Suas reflexões em dias passados àquele eram tantas que compartilhou com a vizinha, uma vez, os problemas que andava enfrentando. "Oxi, mulher, tá amansando demais esse danadinho. Só contar sobre o bicho-papão ou homem do saco, que gostam de puxar o pé de criança levada à noite. Minha mãe vivia me contando isso quando eu era pirralha e eu dormia voando de medo!". Fora isso que sua vizinha havia informado, e, por mais que dona Laura não gostasse de amedrontar Adrien, sentia que ele estava imparável naquela noite.
— Adrien, você não consegue sossegar nem mesmo na hora de dormir? — questionou sua mãe. Ela já tinha obtido olheiras devido ao cansaço dos últimos dias, talvez a época mais turbulenta de sua vida, e seu filho não facilitava muito. — Você sabe o que acontece com garotinhos que não vão dormir?
Ele balançou a cabeça em um sinal negativo desinteressado com o que sua mãe tinha a falar.
— Monstros vêm pegar eles, principalmente o bicho-papão... — Uma pitada de curiosidade e mistura de temor cresceu nos olhos do rapaz, provavelmente se perguntando sobre a estranha criatura citada. — O bicho-papão é o monstro mais assustador de todos, que ama puxar o pé de criança atentada e levar para longe da sua família.
— E por que o bicho-papão faz isso? — Por mais incrível que fosse, o fator medo estava funcionando em Adrien.
— Porque o prato preferido dele são crianças que desobedecem à mãe e se recusam a dormir, por causa disso ele tem dentões afiados e enormes! Suas garras podem partir qualquer um ao meio! E eles atacam quando nenhum pai está por perto...
Talvez, porém só talvez, leitores, dona Laura tenha se empolgado um pouco demais na missão de assustar o seu filho, pois o garoto ficou imóvel, sentiu um leve calafrio percorrer o corpo apenas de visualizar uma criatura horrenda como aquela, e obediente se deitou na cama e se cobriu inteiro.
— Muito bem, mocinho! — comentou Laura, fingindo não sentir uma alegria genuína dentro de si por finalmente fazer Adrien se deitar na cama por vontade própria. — Aliás, você trancou a porta da frente?
Ele assentiu e sua mãe enfim se despediu de seu amado filho, e ao deixar ele sozinho no escuro de seu quarto, Adrien começou a tremer de medo, mentiu para sua mãe sobre trancar a porta da frente, e o motivo para ele mentir sobre isso? O medo, queridos leitores. Adrien temeu que se contasse a verdade, sua mãe o faria ir até lá sozinho e assim existiria brechas para o temível bicho-papão o levar para longe. Desesperado com a ideia, se levantou da cama furtivamente e trancou a porta de seu quarto, depois voltou com passos leves e se enfiou debaixo das cobertas, garantindo que nenhuma parte de seu corpo ficasse exposta à bicho algum.
Um tempo se passou, e ele finalmente pegou no sono, tão calmo e sereno, até acordar com barulhos estranhos vindo de sua própria casa. Adrien não saiu debaixo da coberta a princípio, tudo que fez foi ficar imóvel no mesmo lugar e respirar o mais baixo que conseguia, não eram barulhos normais, eram barulhos de passos, e sentiu tudo piorar quando percebeu que esses barulhos de passo se transformaram em gritos. Gritos de sua mãe. Sentiu lágrimas começarem a escorrer por seu rosto e se levantou sem se preocupar com o medo agora, era sem dúvidas, o bicho-papão, pois escutara sua mãe gritar "Seu monstro!".
Ele se ajoelhou no chão, tão depressa e aflito que não percebeu o quanto tremia, e começou a orar para Deus, orar com todas as suas forças para que sua mamãe não fosse pega pelo bicho papão, afinal, tudo que ela havia feito tina sido cuidar dele, mesmo quando o próprio menino dificultava as coisas. Entretanto, cessou com sua oração quando os gritos pararam, mas para seu infortúnio, os barulhos de passos voltaram com tudo, indicando que o monstro ia em direção ao seu quarto. O monstro tentou abrir, mas ao ver que estava trancada começou a chutar e chutar com força.
Adrien, sentiu que iria passar mal, mas precisava fazer de tudo para não ser pego pela fera, e se apressou para entrar em seu guarda-roupa e se esconder. Depois de mais alguns chutes tão ferozes, a fera arrombou a porta, e entrou com pressa no quarto do menino, Adrien olhou pela fresta da porta do guarda-roupa e prendeu sua respiração. Como sua mãe havia dito, era um ser horrível e assustador, seu olhos vagueavam pelo quarto, pingando a malícia, cheio de doentes assustadores e dedos finos que poderiam alcançar ele sem esforço, a respiração da fera então, o lembrava de um animal selvagem com fome, procurando sua presa. Ele veio buscá-lo.
A fera andou pelo quarto impaciente, olhou debaixo da cama e até se aproximou do guarda-roupa com intenção de procurar ali, Adrien sentiu que ali seria seu fim, mas a atenção do bicho papão foi desviada para um barulho do lado de fora, e sem nem esperar, ele saiu depressa do quarto e o som dos passos foi diminuindo, e como um garoto esperto que era, Adrien se lembrou do telefone da polícia.
Pensou que deveria ser forte e corajoso, salvar sua mãe e avisar aos policiais bonzinhos que o monstro estava a solta, rondando sua casa, então com muita coragem, saiu de seu esconderijo, e foi se esgueirando pelo corredor de sua casa. O telefone fixo ficava perto da televisão na sala de estar, e vitorioso, consegui pegar e discou imediatamente para número que precisava.
— Polícia Militar, emergência, qual sua ocorrência?
— Tem um monstro aqui... E... E... — ele gaguejou de medo apenas de se lembrar da aparência perturbadora que o monstro tinha. — Minha mamãe tá em perigo, ele entrou em casa por minha culpa... Mas eu não queria...
— Não chore garoto, nós vamos ajudar você e sua mãe, qual seu endereço?
— Eu não sei...
— Se mantenha na linha e converse comigo, como o monstro é?
Ele iria contar, mas se deu conta que como o monstro estava do lado de fora, poderia compensar seu erro e trancar a porta a tempo, e desligou telefone, indo direto para porta da frente, tomando todo cuidado do mundo em não fazer barulho, e bem na hora que ia trancar, a maçaneta mexeu. O monstro havia voltado, e o menino sem esperar mais correu em direção ao quarto de sua mãe, o monstro o viu e chamou seu nome com um rosnado assustador, enquanto o perseguia agora pela casa, em sua cabeça tudo que pensava era sobreviver e se desculpar com sua mãe, iria contar que não a odiava, e nunca odiou, só estava irritado por não ter mais um pai e mãe unidos, prometeu que quando entrasse no quarto de sua mãe, iria abraçá-la e clamar por desculpas.
E, rapidamente, adentrou o quarto e fechou com tudo na cara do monstro, trancando a porta e se afastando dela. A fera batia na porta de forma incontrolável, sedenta por sangue, e sem pensar muito, ele se jogou na cama grande de casal de sua mãe e procurou ela em meio às lágrimas. Ao localizá-la, abraçou fortemente ela e não parava de repetir desculpas enquanto chorava.
O monstro se tornou mais desesperado, berrando o nome de Adrien, e o garoto apenas se aconchegava em sua mãe e a abraçava como se sua vida dependesse disso, até determinado momento que tudo ficou em silêncio, Adrien segurou mais forte o corpo de sua mãe, pensando se o monstro já devia tê-lo deixado em paz finalmente, mas para seu azar, a porta cedeu com forte baque do monstro contra ela. Quando seus olhos se encontraram nos do menino, avançou e sem piedade começou a sufocar a criança, tirando ele de perto de sua mãe e o levantando no ar, as pernas do menino se debatiam no ar e tentava em vão revidar contra a fera, até enfim sentir seu corpo começar a ceder e o ar esvair de seus pulmões.
Iria morrer, porém escutou a sirene da polícia, sua cavalaria havia chegado, e o monstro notou também o barulho da sirene e soltou o menino, procurando uma forma de fugir pela janela, algo que não deu certo no momento que ambos viram as luzes sendo ligadas, imaginem só, leitores, o pequeno Adrien havia fugido dessa fera esse tempo inteiro no escuro de sua casa, e ao ver rostos de pessoas fardadas, não hesitou em correr em direção a eles. A polícia havia chegado e tudo estava certo agora, não? Aí que você se engana. Adrien cometeu o erro de virar pra trás e ver sua mãe, cujo corpo jazia estirado na cama, com os olhos abertos, sem vida e vidrados no nada, o rosto inchado e uma marca escura ao redor do seu pescoço.
Mas o pior não era nem a revelação do corpo sem vida de sua mãe, meus queridos, e sim; que o bicho-papão parado ali próximo a janela era o seu pai.
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Adrien sem dúvidas teria morrido se sua vizinha não tivesse ligado antes do garoto ao escutar os gritos, mas seria melhor viver sabendo que não teve oportunidade de se desculpar com sua mãe amada? Boatos se espalham rápidos como fogo, e pessoas enxeridas culpam Adrien por não ter sido sincero e deixado a porta aberta para seu pai, tomado por fúria, entrar, mas alguns justificam sua ação jogando a culpa em dona Laura. O importante; é que ninguém comenta suficientemente sobre a crueldade daquele homem em decidir ceifar a vida do que um dia já foi sua família. Bichos-papões, homem do saco, Cuca e lobisomens talvez sejam menos assustadores do que a maldade que o ser humano pode carregar, então tomem cuidado e fiquem atentos. Desejo que se cuidem, para nos vermos mais uma vez no próximo post.
Minha primeira vez postando um conto, me perdoem por qualquer erro que encontrarem!
— 𓆩♡𓆪


Realmente um relato assustador
ResponderExcluirFicou boa história, o clichê do monstro ser na realidade o pai abusivo, nunca da errado, mesmo que de para ja descobrir o plot por meio das falas do começo, ainda sim é assustador pensar em um pai e ex marido assim, e mais assustador 3 saber que realmente exsitem monstros assim proximos de nós
Unico ponto a questionar é dessa criança correr atrás do perigo ao envés de fugir dele